MARGEM À OBRA
Johann Sebastian Bach e seus concertigrossiall’italiana
No penúltimo quartel de 1718, Bach empreendeu uma viagem de Koethenà Berlim com a finalidade deali encomendar um cravo para ser utilizado pelo seu ColegiumMusicum.Retornouno ano seguinte para tomar posse do instrumento.Todavia, não sabemos ao certo em qual das duas ocasiões o compositor teve a oportunidade de se apresentar diantedo margrave de Brandenburgo (Christian Ludwig); dedicando-lhe uma série de seis concertigrossi, esmeradamente compostos, copiados, encadernados e precedidos de uma dedicatória que hodiernamente nos ecoaaduladorae até um tantoquanto penosa. Por outro lado, tal ofertório ajuíza de forma bastanteelucidativa a condição servil a qual estavam submetidosos músicos pré-revolucionários, ainda na primeira metade do século XVIII.
Entretanto, restam dúvidas sobre a procedência destes concerti.Especula-se se foram compostos ainda em Koethen, em seu todo ou em parte; ou se foram adaptados de esforços mais antigos. O primeiro dos concertos decerto remonta, no entanto,à época de Weimar, sobretudo devido as suas configurações instrumentais e formais mais aparatosas. De resto, seguem a estrutura tripartida dos concertos grossos ao vigente ‘estilo italiano’: allegro, lento, allegro. Em seus detalhes, contudo, todos guardam características próprias que distinguem afinala genialidade do mestre saxão.
Se entretantonos perguntarmos se Bach foi um fidedignoprecursor, teríamos que obrigatoriamente levar em conta a sua produção de Koethen e Weimar, toda ela encabeçada pelos paradigmáticos“Concertos de Brandenburgo”. Defato eles encetam elementos morfológico-instrumentais que então se poderiam considerarvanguardistas. Neste sentido o compositor alcança – emesmo transcende – todos os meios que o concerto barroco dispunha para engendrar o intricadofluxo entre o âmago da polifonia canônica e as noveis atribuições, um tanto já retoricamente homofônicas, do concerto para solista, o qual encontraria a sua fórmula ideal já na segunda metade dos setecentos.
Prof. Dr. Sérgio Dias
PROGRAMA (DIAS 14 E 15 DE JUNHO)
* dia 14 / ** dia 15
I | |
Johann Sebastian Bach (1685 – 1750) | - Concerto de Brandenburgo nº 2, Fá Maior, BWV 1047, para trompetepiccolo, flauta-doce, oboé, violino, cordas e continuo [Allegro], Andante, AllegroAssai concertino: Prof. ArytonBenck, trompete; Profª. Daniele Cruz ou Jones Gama, flauta; Prof. Artur Ortenblad ou Maria Santos, oboé; e Mariama Alcântara, violino |
- Concerto Duplo, em ré menor, BWV 1043, para dois violinos, cordas e continuo Vivace, Largo ma non tanto, Allegro concertino: MariamaAcântara e Rafaela Fonsêca* ou Paola Fonsêca ou Rayssa Vera Cruz**, violinos | |
II | |
- Concerto deBrandenburgo nº 5*, em Ré Maior, BWV 1050, para flauta transversa, violino, cravo, cordas e continuo Allegro, Affetuoso, Allegro concertino: Prof. Sérgio Dias ou Cecília Pires, flautas; Mariama Alcântara, violino; e Profª Maria Aída Barroso, cravo ou - Concerto deBrandenburgo nº 6**, em Si Bemol Maior, BWV 1051, para duas violas da braccio, duas violas da gamba e continuo [Allegro], Adagio ma non tanto, Allegro concertino: Prof. Sávio Santoro e Cecília Araújo de Azevedo ou Felipe Vianna, violas | |
- Concerto de Brandenburgo nº 1, em Fá Maior, BWV 1046, para duas trompas, três oboés, fagote, violino piccolo, cordas e continuo [Allegro], Adagio, Allegro, Menuetto / Trio, Polacca/ Trio, MenuettoDC concertino: Prof. Artur Ortenblad, Maria Santos e LucyleneAldeneto, oboés; Edson Pedro e Beethoven Silva, trompas; Paola Fonsêca ou Manoela Dias, violino; e Prof. Valdir Caires ou Gean Fonseca, fagote | |
PROGRAMA I
I | |
Johann Sebastian Bach (1685 – 1750) | - Concerto de Brandenburgo nº 1, em Fá Maior, BWV 1046, para duas trompas, três oboés, fagote, violino piccolo, cordas e continuo [Allegro], Adagio, Allegro, Menuetto / Trio, Polacca/ Trio, MenuettoDC concertino: Prof. Artur Ortenblad,Maria Santos e LucyleneAldeneto, oboés; Edson Pedro e Beethoven Silva, trompas; Paola Fonsêca ou Manoela Dias, violino; e Prof. Valdir Caires ou Gean Fonseca, fagote |
- Concerto Duplo, em ré menor, BWV 1043, para dois violinos, cordas e continuo Vivace, Largo ma non tanto, Allegro concertino: MariamaAcântara e RafaelaFonsêca ou Paola Fonsêca ou Rayssa Vera Cruz, violinos | |
II | |
- Concerto deBrandenburgo nº 5, em Ré Maior, BWV 1050, para flauta transversa, violino, cravo, cordas e continuo Allegro, Affetuoso, Allegro concertino: Prof. Sérgio Dias ou Cecília Pires, flautas; Mariama Alcântara, violino;e Profª Maria Aída Barroso, cravo | |
- Concerto de Brandenburgo nº 2, Fá Maior, BWV 1047, para trompete, flauta-doce, oboé, violino, cordas e continuo [Allegro], Andante, AllegroAssai concertino:Prof. Ayrton Benck, trompete; Profª. Daniele Cruz ou Jones Gama, flauta; Prof. Artur Ortenblad ou Maria Santos, oboé; e Mariama Alcântara, violino | |
PROGRAMA II
I | |
Johann Sebastian Bach (1685 – 1750) | - Concerto de Brandenburgo nº 3, em Sol Maior, BWV 1048, para cordas e continuo [Allegro], Adagio, Allegro |
- Concerto de Brandenburgo nº 4, em Sol Maior, BWV 1049, para duas flautas-doce, violino, cordas e continuo Allegro, Andante, Presto concertino: Profª. Daniele Cruz, Priscila Gama ou Jones Gama, flautas;e MariamaAlcântra, violino | |
II | |
- Concerto deBrandenburgo nº 6, em Si Bemol Maior, BWV 1051, para duas violas da braccio, duas violas da gamba e continuo [Allegro], Adagio ma non tanto, Allegro concertino: Prof. Sávio Santoro e Cecília Araújo de Azevedo ou Felipe Vianna, violas | |
- Concerto Tríplice, em lá menor, BWV 1044, para flauta transversa, violino, cravo, cordas e continuo Allegro, Adagio ma non tanto e dolce, Tempo diAllabreve concertino: Rafaela Fonsêca, violino; EneydaRodrigues, flauta; eProfªMaria Aída Barroso ou Andreia Rocha de Andrade, cravo | |
ORQUESTRA DE CÂMARA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
Departamento de Música – Centro de Artes e Comunicação / Campus do Recife
Tendo suas atividades retomadas no ano de 2010, desta feita sob a regência e direção artística do Maestro Sérgio Dias, a Orquestra de Câmara da Universidade Federal de Pernambuco é formada por alguns dos mais talentosos estudantes de música do cenário musical nordestino. Em seu elenco primeiro a Orquestra conta com a participação de jovens oriundos dos Estados de Pernambuco, Paraíba e Rio de Janeiro, em sua maioria alunos do Departamento de Música da UFPE, onde o grupo é residente.
O projeto de recriação da Orquestra de Câmara da UFPE prevê ainda a participação de professores do citado Departamento, como orientadores dos músicos e respectivos naipes, ou como solistas convidados. Neste sentido, atualmente o grupo conta com a colaboração de professores renomados, tais como: Sávio Santoro (viola), Ricardo Brafman (violino), Luciana Câmara e Maria Aida Barroso (cravo), Fernando Rangel (contrabaixo), PatríciaJohnson(violoncelo), Mauro Maibrada (violão) e AntônioBarreto (percussão).
Com uma formação básica de violinos, violas, violoncelo, contrabaixo, cravo, guitarra barroca e percussão, o grupo se dedica à interpretação de um repertório que circunscreve desde a música barroca até a produção do século XX, observado especial relevo à música brasileira.
Para o ano de 2011, a Orquestra de Câmara da UFPE prevê uma extensa temporada na qual, dentre outras obras de interesse, poderão ser ouvidos os Concertos de Brandenburgo (íntegra) do compositor alemão Johann Sebastian Bach, o Requiem (em primeira audição moderna) do compositor napolitano Giovanni BattistaPergolesi, programas contendo outras estreias modernas de compositores tais como Domenico de Micco, Johann Retzel e Francesco Durante (com a participação do Coral Opus 2(Maestro Flávio Medeiros) e a regência do Maestro Homero Magalhães Filho), bem como peças inéditas de compositores pernambucanos,algumas delas especialmente escritas para o grupo: Paulo Lima, Nelson Almeida, Dierson Torres, Samuel Cavalcanti e Fernando Rangel.
violinos Mariama Alcântara (spallae solista) Paulo Jeferson Kedma Johnson (solista) PaolaFonsêca(solista) RafaelaFonsêca(solista) ManoelaDias (solista) Reuel Gomes RayssaVera Cruz (solista) Victor Luiz | violas MagdielClaudin Cecília Araújo de Azevedo Felipe Vianna |
violoncelos Pierre Gonçalves Lucas Almeida | contrabaixo Thiago Correia |
cravo: Andréia Rocha de Andrade Ladson Ferreira de Matos | |
regente titular e diretor artístico: Maestro Sérgio Dias | |
músicos convidados: cravo Profª Maria Aída Barroso oboés Prof. ArturOrtenblad Maria Santos LucyleneAldeneto trompas Edson Pedro Beethoven Silva fagotes Prof. Valdir Caires Gean Fonseca flautas-doce Profª Daniele Cruz Barros Jones Gama Priscila Gama Flautas transversais Eneyda Rodrigues Cecília Pires trompete Prof. Ayrton Benck viola Prof. Sávio Santoro violada gamba Cecília Cabral violoncello |
SÉRGIO DIAS
Nasceu em 1961, no Rio de Janeiro. É graduado em Flauta, Composição e Regência, pós-graduado em Educação Musical , em Arte e Cultura Barroca e Mestre em Música (com área de concentração em Musicologia Histórica ). Ex-professor do Conservatório Brasileiro de Música, ex-titular de Harmonia, Contraponto, Fuga e Estruturação Musical da Faculdade de Música do Espírito Santo - FAMES e ex-professor de História do Teatro da Escola de Artes FAFI (Prefeitura Municipal de Vitória / ES). Ex-professorsubstituto de História da Música do Conservatório de Coimbra e da Escola Superior de Educação de Lisboa. Atualmente é professor-musicólogo do Departamento de Música da Universidade Federal de Pernambuco.
Desde 1987 é membro da Sociedade Brasileira de Musicologia, da Associação Brasileira de Escolas de Música (1989) e do Comitê Interamericano de Música (1983).
Em 1989 idealizou e, em 1990, criou, com o apoio do Centro Cultural Pró-Música de Juiz de Fora, os Festivais Internacionais de Música Colonial Brasileira e Música Antiga, nos quais é conselheiro artístico, coordenador e responsável pela classe de Prática de Orquestra.
De sua vasta lista de orientadores poder-se-iam destacar os nomes de David Munrow, Michel Philippot, Christopher Bochmann, AurèleNicolet (Festival de Lucerna), José Siqueira, Guerra-Peixe, Claudio Santoro, Eleazar de Carvalho e Francisco Mignone.
Como pesquisador do passado musical possui transcrições, edições, execuções e gravações (muitas delas sob sua regência) de antigos documentos musicais italianos, portugueses e brasileiros do século XVIII. Todas estas realizações propiciaram importantes registros de mestres como Francesco Durante, Giovanni BattistaPergolesi, Nicola Porpora, Domenico Cimarosa, Giovanni Paisiello, Pedro António Avondano, José Joaquim dos Santos, Marcos Portugal, José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita, Manuel Dias de Oliveira, Pe. João de Deus de Castro Lobo, Pe. José Maurício Nunes Garcia, Joaquim de Paula Souza, dentre outras obras anônimas também representativas. Possui artigos publicados em importantes revistas musicológicas nacionais e europeias. Já escreveu comentários de encarte para alguns CDs de importantes grupos estrangeiros - dentre eles o The Sixteen e o Ensemble Turicum - e é considerada uma contribuição para o estudo da música pretérita brasileira a sua tese sobre "A Existência de Uma Escola de Compositores na Capitania das Minas Gerais - Subsídios Para a Compreensão do Fenômeno Musical Mineiro dos Setecentos".
Participa ativamente como intérprete e/ou diretor junto a importantes conjuntos nacionais e estrangeiros, podendo ser citados, dentre outros, o ArsInstrumentalis, a Camerata Philharmonia, o grupo Sequencia (Argentina), o Conjunto de Música Antiga da FAMES (Ensemble Cum SanctoSpiritu), a Miami Philharmonic, a CapelladellaPietà dei Turchini, a Saint Paul ChamberOrchestra, a Orquestra do Mozarteum de Buenos Aires, a Capella Luso-Brasiliensis, a Sinfônica do Teatro Cólon, a Orquestra e Coro dos Festivais de Lucerna, a Orquestra de Câmara de Rouen, as Orquestras dos Festivais Internacionais de Música Colonial Brasileira e Música Antiga e a Orquestra de Câmara VictoriaSinfonietta.
Possui vários registros discográficos no campo da Música Antiga, da Música Colonial Brasileira e da Música Contemporânea.
Em 1994, passa a ser o diretor artístico dos FEMUSICA (Festivais de Música de Inverno de Campos), onde dirigiu a classe de Prática de Orquestra. No ano de 1997, foi lançado o primeiro CD deste Festival, que teve obras inéditas de Alexandre Levy (Sinfonia em mi menor) e César Guerra-Peixe (Drummondiana - Cantoria para Voz e Orquestra). Está previsto o lançamento do segundo CD contendo obras de Lorenzo Fernandez (Variações Sinfônicas para Piano e Orquestra), Francisco Mignone (Sonho de Um Menino Travesso) e Harry Crowl (Concerto para Piano e Orquestra).
Nos anos de 1995 e 1996 foi o maestro titular da Orquestra de Câmara da Universidade Federal do Espírito Santo.Até fins de 2009 ocupou-se da Orquestra Sinfônica da Faculdade de Música do Espírito Santo e do Ensemble Cum SanctoSpiritu, grupo último especializado em música antiga,com o qual gravou em 1997 um CD intitulado "O Amor e o Humor na Música Brasileira dos Séculos XVIII e XIX".
É doutorado pelo Departamento de Ciências Musicais da Universidade Nova de Lisboae trabalha como musicólogo consultor junto ao arquivo do Conservatorio San Pietro a Majella de Nápoles. Até dezembro de 2009 foi membro do Conselho Estadual de Cultura/ES, como titular da Câmara de Artes Musicais, e do Fundo Estadual de Cultura. Atualmente é o regente titular da Orquestra de Câmara da Universidade Federal de Pernambuco e diretor artístico dos Festivais de Música de Nova Almeida (FENOVA).
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